
Ainda menina, Lili ajudava sua mãe a bordar. Tinha 12 anos de idade quando bordavam para ateliês na cidade de Cruz, no Ceará. Já em Fortaleza, continuou com os trabalhos manuais e, só aos 24 anos, em São Paulo, descobriu a pintura artística.
Começou sem técnica alguma, e decorava qualquer coisa que lhe caísse nas mãos.
Fez cursos, se especializou e acabou se tornando professora de uma grande indústria de tintas, a Gato Preto, chegando a ser consultora artística da editora On Line.
A partir daí o nome Lili Negrão passou a se tornar referência. Lili é uma pessoa de hábitos simples, gostos comuns e sem preconceitos , “não sei se é uma coisa bem brasileira, ou apenas a boa criação que recebi. Mas entendo que esse meu jeito tão próximo dos hábitos das pessoas que convivem comigo e mesmo acompanham o meu trabalho, faz com que o resultado fique melhor em tudo o que faço”, completa a artesã. Simplesmente é uma pessoa que faz as coisas com muito amor, com muita fé e, tem certeza de que tudo isso, sempre fica claro em suas criações. Seu trabalho, nada mais é do que um retrato fiel do que é. Alguém que tem vida, cor e arte correndo nas veias.
Lili é consultora artística de três empresas: Editora Minuano, Bordados Marilda e Sacaria Ouro Branco . Segundo ela, o artesanato, é uma fonte de renda, mas sem dúvida , é também um meio para aliviar o estresse, “mas o que eu realmente busco nele é o prazer de fazer um trabalho bem feito. Tenho certeza de que seria assim em qualquer outra coisa que fizesse na vida”.
Lili trabalha sozinha e tem um arejado e bem equipado ateliê em casa, por isso faz muitas coisas. O grande diferencial de seu trabalho está nas flores (como as rosas, por exemplo) na pintura em tecido. Algo que realmente agrada e que repete na pintura em sabonetes. Já na pintura em madeira, na decoupage e na pintura em porcelana, segue a moda, enquanto nos bordados e no crochê são suas peças de decoração.
“Tudo está no acabamento. Um trabalho bem feito fica evidente quando não há tinta borrada ou linha sobrando no bordado. Hoje, tenho uma marca, um nome. Por isso é preciso que meu nome, não seja ferido por displicência.”
Para a Lili, o que define um bom artesão é o respeito à técnica a qual será creditado o seu trabalho e claro, sua finalização, “acabamento é tudo!”.
Questionada sobre os desafios e as dificuldades de se atuar no mercado de produtos feitos à mão, Lili responde : “Vivemos um momento em que o produto exclusivo tem mais valor. O consumidor já identifica e quer esse diferencial, essa exclusividade. É aí que entra o trabalho manual, pois é impossível fazer um produto muitas vezes, e todas as peças ficarem iguais”. Algo feito à mão simplesmente é único e exclusivo.
Esse é o maior valor que o artesanato pode agregar. “Se você gostou de uma peça feita por uma rendeira do Ceará, ninguém fará algo igual. Poderá ser parecido, valorizado, reconhecido, mas nunca igual. E se quiser que a mesma rendeira repita o trabalho e o faça para você, também não conte em ter uma peça igual. Essa exclusividade não tem preço”.
Hoje Lili tem duas publicações bimestrais que levam seu nome, além de pincéis também próprios e uma linha de papéis para decoupage. Todos esses produtos são divulgados por meio de revistas, programas de TV como o Ateliê na TV, assim como pelo seu site www.lilinegrao.com . E ainda não pára por aí, Lili ministra cursos em todo o Brasil e exterior. Segundo ela, depois do Ateliê na Tv ganhou mais visibilidade, principalmente junto aos outros artistas, pois já era um pouco conhecida em feiras e eventos do setor, assim como por outros programas de TV. Mas,para ela, aparecer na TV, de forma a adentrar a casa das pessoas por um veículo tão forte de comunicação, a deixou mais próxima. “Deixei de ser aquela professora vista na revista para ser a amiga que entra na sua casa e ensina arte.”
Fora o artesanato, o que Lili mais gosta de fazer é de estar com a família, seja onde for e também ama praia.
Para resumir sua longa história, Lili conta: “diria que nasci em março, no Ceará, fui para Cruz, depois Fortaleza e cheguei em São Paulo. Sou artesã, mãe, filha, esposa, amiga... Sou artista. Mais do que das tintas e pincéis, sou uma artista da vida. Uma brasileira que é cheia de fé, que acredita em Deus e nas pessoas e que sabe que, com trabalho e força de vontade, tudo é possível” e finaliza “diria que sou muito feliz!”.